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Moradores reclamam de qualidade na água da região noroeste

A festa de final de ano ficou literalmente manchada para a família de Ademir Ribeiro, morador do Condomínio Zuleika Jabour. Isso por que, a água que saiu das torneiras fez com que ele e os familiares tivessem as roupas manchadas durante a lavagem. Todo o transtorno começou logo após o alagamento da ETA João Jabour, no dia 28 de dezembro.

“O problema persiste até hoje, pois a água veio com muito cloro ocasionando perdas de roupa, já que a descoloração foi intensa. Ficou impossível tomar banho ou cozinhar”, contou à reportagem do jornal PRIMEIRAFEIRA. Além dos bens materiais, a água disponibilizada nas torneiras causou problemas de saúde aos moradores da residência. “Também tivemos problemas de alergia pois o nível de cloro foi muito alto. Acho um total desrespeito ao consumidor, pois a água em Salto se tornou relativamente cara e não é admissível deixarem isso acontecer”, afirmou.

Outros moradores do bairro também registraram problemas similares. “No banho o cheiro de cloro era insuportável, provocava ardência nos olhos e olhos lacrimejando devido excesso de cloro. Todo alimento que foi lavado ficava com gosto de cloro”, comentou Juarez Antonio Lopes.

Segundo o novo superintendente do Saae, Alison Bressiano, os níveis de cloro das amostras coletadas ficaram abaixo do limite estabelecido pelo Ministério da Saúde. “A Portaria nº 888/2021 do Ministério da Saúde estabelece que o limite de Cloro Residual Livre é de 5mg/L. O Saae coletou amostras nos reservatórios e em alguns hidrômetros de residências durante esses dias e as análises ficaram abaixo do que determina a norma. Via de regra, a ETA libera uma quantidade acima do mínimo para que as pontas e as partes mais altas recebam a água com a quantidade ideal de cloro”, informou.

De acordo com o superintendente, que assumiu em 1º de janeiro, em função da enchente e da celeridade em liberar o abastecimento para a população, o processo de desinfecção pode ter deixado algum resíduo de produto na galeria e na tubulação, o que fez com que esse material fosse carregado com a pressão da água ao abastecer a galeria e os reservatórios, chegando pontualmente em algumas residências. “Quando não há muito consumo ou se utiliza pouco a caixa d’água, esse residual demora a se dissipar, tornando-se perceptível”, completou.

 

Interrupções

Até o final da manhã de ontem (5), o abastecimento da região noroeste estava normalizado, muito diferente do que aconteceu nos últimos dias.
Na manhã do dia 28 de dezembro o nível do Ribeirão Buru subiu rapidamente devido às chuvas intensas do dia anterior, inundando a ETA João Jabour, obrigando o desligamento dos equipamentos. Apenas no dia seguinte (29 de dezembro) foi realizada a limpeza do local, após o nível de água ter diminuído.

Simultaneamente ao trabalho de restabelecimento da ETA e do abastecimento, o Saae recebeu 262 pedidos de água nos dias 30 e 31 de dezembro, aos quais atendeu com seis caminhões-pipa. É possível estimar que esse atendimento foi maior, uma vez que ao abastecer uma residência, havia o pedido informal de abastecimento em outras, da mesma rua. A prioridade foi dada aos bairros com mais tempo sem água, de acordo com o monitoramento das nossas equipes, e aos lares que tinham idosos, pessoas camadas ou deficientes e crianças”.

A Estação de Tratamento de Água (ETA) João Jabour voltou a tratar e distribuir água para os reservatórios na madrugada de sexta-feira (30), levando água a algumas localidades apesar de todo o dano causado pela inundação. No final da manhã, no entanto, uma ineficiência foi percebida nas dosadoras de produtos químicos, ‘sequela’ ainda da exposição dos equipamentos à água, o que fez com que a ETA João Jabour precisasse ser parada novamente por algumas horas.

Na madrugada de sábado (31), uma nova inundação atingiu a ETA, que precisou ser paralisada novamente. O fornecimento retornou apenas no domingo (1º). Entre segunda (2) e quarta-feira (4), o Saae realizou paradas de algumas horas foram feitas para que os reservatórios pudessem recuperar os níveis de água, uma vez que a demanda reprimida causada pelos dias sem água fez com que os reservatórios secassem rapidamente.

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