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Casas históricas do Porto Góes começam a desaparecer lentamente do cenário urbano

Nova gestora dos imóveis iniciou demolição mais intensa nos últimos meses, recuou ao ser questionada pelo Comdepac e agora promete manutenção

 

Julho/2016    Março/2023

 

 

O desaparecimento das casas histórias do pequeno bairro do Porto Góes, às margens da Rodovia da Convenção, na saída de Salto, está cada vez mais visível no cenário urbano. O PRIMEIRAFEIRA buscou foto de 2016, na qual as casas aparecem sem nenhum dano aparente, e a comparou com outra de março deste ano. O que se vê são várias casas destruídas e muito resto de construção amontoado no local, demonstrando a ação sobre os imóveis.

A decisão pela derrubada dos imóveis partiu da empresa BlendPaper, que é a nova gestora deles. Ao ser questionada no final de fevereiro pelo PRIMEIRAFEIRA se havia comunicado a Prefeitura sobre a ação, a empresa revelou que sim. Na verdade, a comunicação ocorreu depois de iniciada a demolição. Por conta disso, o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Salto (Comdepac) e representantes da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e da Secretaria de Turismo da Prefeitura convocaram uma reunião com a empresa para o dia 3 de março.

No encontro, a empresa informou que iniciou a demolição de parte das casas, porque elas estavam há décadas sem nenhuma ocupação e nem manutenção, fatos que teriam ocorrido antes da recente aquisição pelos novos proprietários. Também alegou que ocorreram inúmeras intervenções que já descaracterizaram os imóveis, isto na comparação com o que eram as casas que foram construídas para servir de residência de trabalhadores da fábrica no passado.

Apesar disso, durante a reunião, representantes da empresa BlendPaper apresentaram agora propostas de manutenção das fachadas e de recuperação das estruturas originais dos telhados das casas em frente à Rodovia da Convenção e em sua lateral, preservando-as. Mas a reunião não pode ser acompanhada pela imprensa.

Por isso, o PRIMEIRAFEIRA questionou a Prefeitura de Salto, que informou em nota que ainda não há data para iníco das obras de manutenção e recuperação no local. “Está em discussão entre representantes do Comdepac, da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, da Secretaria de Turismo e dos atuais propretários da empresa”, informou.

O historiador Rafael Barbi, ouvido pela reportagem do PRIMEIRAFEIRA, destacou a importância das casas para a história da cidade. De acordo com ele, as casas do Porto Góes, já foram indicadas para tombamento pela Prof. Me. Patrícia Stahl Merlin, através do Comdepac.

Barbi explicou que essas casas fazem parte do processo de industrialização do interior do Estado de São Paulo e que retratam o período de urbanização que se deu após a chegada das primeiras fábricas. “O conjunto de casas da Vila do Porto Góes tem uma importância fundamental como símbolo desse processo de urbanização pelo qual a cidade passou no começo do século XX. Por si só, essa situação já dá uma demonstração da importância da preservação desse bem para a cidade”.

Ele também destacou que é necessária a preservação dessas construções, pois elas demonstram técnicas construtivas próprias das construções industriais do início do século XX em Salto, com o uso de tijolos aparentes, saibro na mistura da argamassa e as pedras de granito como alicerce. Mesmo com essa importância histórica para a cidade, na opinião dele, boa parte das casas não se recupera mais.

O presidente da Comdepac, Roberto Gaiotto, disse, no início do mês de março, que foram realizadas obras no local, referentes à remoção de árvores que estariam influenciando na estrutura das casas. Em relação à remoção dessas árvores, a Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura informou que analisou e autorizou essa ação mediante Termo de Compromisso de Recuperação Ambiental. Também foi informado que, em contrapartida, a secretaria já recebeu diversas mudas, como forma de compensação.

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