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História e teoria – algumas reflexões. (Parte 1)

O texto é fruto de um trabalho de pós-graduação e trata-se de uma reflexão acerca do professor de história enquanto historiador e a teoria da história. Nesta semana apresento ao amigo leitor e amiga leitora a primeira parte.

 

É recorrente em certos espaços o debate acerca do conhecimento produzido no ambiente acadêmico e sua prática, ou mesmo seu acesso, por professores e estudantes presentes no ensino básico. Como se existisse uma barreira separando ambos os setores: o acadêmico e ciclo básico de educação. Campos do conhecimento como a Teoria da História vão ao encontro, podendo ser elo e motivador da derrubada de tal barreira, sendo o historiador (e professor) aquele que é capaz de promover a problematização da própria disciplina de história, usando conceitos como ferramentas na construção de saberes junto aos seus alunos.

Diante de tal situação, quando o professor consegue aproximar o conteúdo desenvolvido em aula aos debates em torno das disputas de memória – por exemplo: a presença dos negros, mulheres, indígenas, dentre outros grupos na historiografia de determinado assunto – tal complexidade pode estreitar laços entre o docente, o estudante e até mesmo com a comunidade da qual está inserido. Para citar uma situação, menciono o ocorrido em uma escola no interior do estado de São Paulo: após algumas aulas sobre Idade Média para uma turma de sétimo ano do ensino fundamental, uma das alunas levanta a mão e pergunta ao professor em que momento seria estudada a história do continente africano. Aquilo fez com que o professor adequasse seu plano de aula para atender uma demanda que, após pesquisa com outros alunos da mesma faixa etária, percebeu ser de um grupo maior. A aula mencionada ocorreu na Escola Estadual Prefeito Antônio Odilon Franceschini, no município de Cabreúva em 2018.

Pensando que as narrativas em histórias são construídas, com isso as identidades podem ser forjadas de acordo com determinados discursos, a construção de saberes por certos materiais pedagógicos passam por influências de grupos dominantes economicamente ou politicamente (e por que não os dois?), a teoria de história fortalece o trabalho do professor em sala de aula justamente na hora de debater conceitos, de reformular seus planos de aulas e repensar até mesmo o próprio ensino de história na educação básica, . É importante notar – conforme mencionado no Podcast Teoria da História: uma disciplina, diversas aplicações, com o professor Rodrigo Turin – que na própria disciplina de Teoria o ensino de história tem ganhado espaço.

Voltando para a sala de aula, nota-se outro grande desafio enfrentado pelos professores de diversas disciplinas: as mídias. Não há a pretensão naquela discussão de senso comum que demoniza os usos das ferramentas tecnológicas contemporâneas em sala de aula, ao contrário, se bem utilizadas enriquecem o ambiente escolar. A questão levantada é o uso dessas mídias de maneira massiva, comercial e muitas vezes propositalmente mal-intencionadas. Junta-se isso ao fato de que a Reforma do Ensino Médio deixou a História como matéria não obrigatória no segmento, o que implica no empobrecimento do debate crítico para com assuntos referentes ao passado, memória, presente e ação do cidadão na sociedade em ambiente escolar. Com as novas mídias – canais em plataformas de vídeo ou redes sociais – aparecem cada vez mais os novos “faladores/especialistas” em história. Aqueles que são financiados por corporações com forte poder aquisitivo acabam produzindo materiais “hollywoodianos”. Diante disso, o passado torna-se lucrativo para esses grupos, adequando-se às necessidades dos consumidores. Quais as possibilidades, portanto, para o historiador dentro ou fora de sala de aula diante de tal cenário?

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