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As pessoas não têm tempo de conhecer as pessoas

Tudo acelerado, tudo em super velocidade.
As pessoas só passam pelas pessoas.
E no passar, nada é retido.
Ou pouco e o pouco não te diz quem eu sou e não me diz quem tu és.
Eu gostava do tempo em que podia te ouvir e que você me ouvia.
Tínhamos tempo e tínhamos nós.
Eu te ouvia e te sabia inteiro. Como você pensava e quem você era, pois, nossas conversas nos entregavam um ao outro.
Cadê o tempo de te ouvir e te conhecer agora?
Só te lendo eu te recebo. E você me recebe.
Eu gosto do ler. Eternamente gravado e, se você muda de ideia, posso reler e saber que hoje pensa diferente. Que coisa boa o tempo passar e a gente mudar. Mudar de ideia, de gosto, de gestos e de atitudes.
Mas, desconheço muita gente que conheci tanto um dia.
Conheço-te muito mais pelo que você escreve, que pelo que você diz.
O dito, pelo não dito é bem fácil e bastante usual.
O escrito, sempre será o escrito, grafado à tinta ou de qualquer outra maneira e nunca poderá ser desdito.
Outra compreensão, outro entendimento, sim pode ser, mas nunca não escrito, nunca tão assim não compreendido.
E o tempo de te ouvir passou e hoje só posso te ler.
Lendo-te, melhor te conheço e só não me esqueço de que disse diferente, de que pensava diferente. Ou fui eu que te entendi de outra maneira?
Afinal, quem é você e quem sou eu?
O que escrevo ou o que eu disse?
E porque hoje te vejo de outro modo do que te vi um dia, só porque nossa forma de comunicação mudou.
Muda tanto assim falar ou escrever?
Qual a forma mais confiável?
Ter olho no olho e acreditar em tua face ou ter olhos no escrito e te ver diferente?
Estou aqui, a ensimesmar com aquilo que não tem explicação lógica, que me faz perder tempo, todo aquele tempo que usávamos antigamente para estarmos juntos, nos ouvindo, nos vendo e nos sentindo.
Quem vai me responder onde a verdade está, nas letras que te leio ou no olhar que já não há?
Cabeça baixa, olhos na tela e lá você diz e eu que queria te saber, ao te ler, na telinha entre as mãos, acho tudo tão estranho de tão vão, buraco profundo onde nem eu e nem a luz alcança.
O futuro chega, tudo muda, bagunça a vida, afasta os corpos e aproxima o quê?
Eu te ler e te saber tão outro alguém que nem sabia antes, só ao te ouvir e te ver.
Haverá solução aos meus questionamentos ou seguirei tentando entender por que gasto tanto tempo a te buscar nas lembranças do tempo em que você me dizia, eu te ouvia e te sabia perfeitamente como sempre te soube e que nada mudaria o que eu pensava sobre ti e sentia e hoje nada sei, nada saberei e continuarei a buscar que, se te ouço ou se te leio, quem é que me dá quem exatamente você é?
Quanto devaneio só para dizer que preferia te ouvir a ter que te ler para seguir descobrindo quem você é, porque é e onde afinal, neste espaço do tempo, efetivamente está.
Hoje, as pessoas, infelizmente, não tem tempo de conhecer as pessoas.

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