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Vereadores devem ser representados na Câmara por “fake news” e invasão de prédio público

O retorno dos trabalhos legislativos promete ser agitado, especialmente para a Comissão de Ética. O Saae e a Secretaria de Finanças protocolaram ofícios cobrando do presidente da Câmara, Clayton Bispo, providências contra pelo menos quatro vereadores, por suposta quebra de decoro parlamentar.

A Secretaria de Finanças solicitou que a vereadora Dra. Grazi (PSB) seja representada na Comissão de Ética pela propagação de “fake news”. De acordo com o ofício, no dia 6 de janeiro, a vereadora publicou uma postagem em suas redes sociais informando sobre um suposto aumento do valor do IPTU por meio de decreto do prefeito, sem que a medida tivesse passado pela Câmara. Três dias depois, no dia 9, a vereadora gravou outro vídeo, desta vez nas dependências do Paço Municipal, repetindo a informação. Entretanto, segundo a secretária Claudia Pastorello, a informação é inverídica.

“Tais informações veiculadas pela referida vereadora, utilizando-se de meio que proporciona ampla divulgação, ocorreram de forma deliberada e consciente, com o objetivo de gerar desinformação, conhecida atualmente como ‘fake news’”, expõe o ofício. Segundo a secretária, o aumento do IPTU via decreto teria sido aprovado por unanimidade pela Câmara de Vereadores e recebido parecer favorável da Comissão de Constituição, Justiça e Redação, da qual a vereadora é presidente.

“A referida vereadora possuía pleno conhecimento de que a Câmara Municipal — inclusive com o seu aval — concedeu autorização expressa e legal para que o prefeito municipal promovesse as atualizações necessárias.”

Já o pedido do Saae solicita que a Comissão de Ética investigue a conduta dos vereadores Antônio Moreira (PL), Arildo Guadagnini (Democracia Cristã), Dra. Grazi (PSB) e Chell Oliveira (PT), que teriam ingressado em áreas internas do Saae sem prévia autorização. O caso ocorreu no dia 29 de dezembro de 2025.

Segundo o superintendente da autarquia, César Piva, os parlamentares realizaram filmagens internas que geraram interpretações “distorcidas” e “descontextualizadas” sobre a rotina e o funcionamento do Saae.

“Bens públicos de uso especial são protegidos por regime jurídico próprio e não se submetem a acesso irrestrito, exigindo controle de entrada. (…) O exercício da fiscalização legislativa não se confunde com livre acesso”, justificou o superintendente, mencionando inclusive a Lei Orgânica do Município, segundo a qual o acesso às repartições públicas somente é permitido a órgãos coletivos da Câmara Municipal.

De acordo com Piva, na data das filmagens, a sede administrativa do Saae encontrava-se em recesso parlamentar, mantendo apenas o atendimento à população.

O pedido do superintendente é para que a Comissão instaure um processo disciplinar, solicitando o afastamento do vereador Chell Oliveira da referida comissão, uma vez que ele é um de seus integrantes, além da adoção de providências para evitar a repetição de atos semelhantes.

Procurado, o presidente da Câmara, Clayton Bispo (PP), informou que a Mesa Diretora realiza apenas a verificação formal do pedido e promove seu encaminhamento à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. “Não compete ao Presidente da Câmara antecipar juízo ou julgar acontecimentos ou condutas. O papel da presidência é garantir que o processo siga o rito adequado e que a Comissão de Ética possa exercer, com independência, sua função institucional. Assim, as representações apresentadas seguem o mesmo procedimento já adotado anteriormente e são encaminhadas à Comissão, que é quem deve analisar e deliberar sobre cada caso”.

Os vereadores Antônio Moreira e Chell Oliveira foram procurados antes da sessão ordinária, mas decidiram se manifestar no plenário. Já Dra. Grazi disse ser uma injustiça o que está sendo feito, alegando ainda se tratar de “perseguição”. Ela prometeu levar o caso adiante, trazendo ainda mais repercussão à tentativa de calar sua voz. Não conseguimos contato com o vereador Arildo Guadagnini antes da sessão legislativa.

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