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As previsões para o Super El Niño e as lembranças da grande enchente de 1983 em Salto

Pesquisadores, especialistas e meteorologistas apontam que o El Niño que está se formando, caminha para ser um dos mais fortes de toda a série histórica de registros modernos, iniciados em 1850. Entre os registros mais intensos do El Niño em território brasileiro, está o fenômeno ocorrido entre o final de 1982 e o início de 1983.

Nesse episódio, a seca destruiu lavouras no Nordeste, dezenas de municípios ficaram debaixo d’água no Sul e, em Salto, ocorreu o registro daquela que pode ter sido a maior enchente da história da cidade.

As previsões mais recentes, apresentadas pela MetSul, com base em dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), mostram que as temperaturas da água do Oceano Pacífico já atingiram +2ºC em julho. No Super El Niño de 1982-1983, a anomalia só alcançou +2ºC na semana de 24 de novembro.

Segundo o meteorologista Bruno Bainy, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp, os indícios existentes superam quaisquer dos eventos anteriores. “O que temos para os próximos meses é de um evento muito forte, com anomalias de temperatura superior a 2ºC na região do Pacífico. O que temos, de indicativo, é que supera todos os eventos precedentes. Em termos quantitativos esse tem a chance de ser maior”.

Bruno explica que ainda não é possível associar o evento esperado para os próximos meses à uma catástrofe sem precedentes, mas é necessário estar preparado. “Para a região, as projeções sazonais podem se extrair algumas previsões empíricas, com temperaturas acima da média prolongado, com menor frequência de entrada de ar frio. Da mesma forma, a previsão de chuvas, é acima da média, sobretudo em outubro. Podemos esperar eventos de chuva intensa, volumosa e torrencial. Ainda não podemos afirmar que teremos enchentes tão grandes como essa, mas podemos nos preparar”.

A enchente de 1983

O ano de 1983 marcou uma das maiores enchentes de sua história. No dia 2 de fevereiro daquele ano, o nível das águas do Rio Tietê e Rio Jundiaí superaram as marcas da enchente de 1929, chegando à níveis “jamais atingidos”, conforme publicações de jornais da época e replicados pela página Histórias de Salto.

Avenidas e ruas como Vicente Schivittaro, Marechal Deodoro, Rui Barbosa foram invadidas pela água, assim como empresas, que chegaram a paralisar suas atividades. Dezenas de famílias ficaram desabrigadas, além de outras que foram transferidas às pressas antes da cheia dos rios.

Naquela época, no local onde hoje existe a Ilha dos Amores, havia um mini-zoológico, que mobilizou equipes para o resgate dos animais por helicóptero, entretanto, alguns não foram resgatados a tempo.

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