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Venezuelanos que vivem em Salto destacam como foram acolhidos de braços abertos no Brasil

Uma família de venezuelanos, composta por José Francisco Figueredo, de 52 anos, sua esposa, filhos e netos, reside em Salto há oito anos. Diante da atual situação da Venezuela, cujo presidente, Nicolás Maduro, foi preso no dia 3 de janeiro pelo Exército dos Estados Unidos, acusado de traficar cocaína para os EUA, José Francisco Figueredo conversou com o PRIMEIRAFEIRA e contou como foi a vinda da família para o Brasil, como era viver na Venezuela e se pretendem retornar ao país.

José Francisco Figueredo destacou que ele, sua esposa e seus dois filhos, à época, saíram da Venezuela há oito anos e ingressaram no Brasil por Pacaraima (RR), onde permaneceram por três dias. Em seguida, foram para Boa Vista (RR), onde ficaram por dois meses, e depois para Manaus (AM), onde permaneceram por um mês e meio. Nesse período, José fez amizade com um fotógrafo que morava em São Paulo (SP), o qual comentou sobre Salto (SP) com o venezuelano.

Após algum tempo, José e sua família vieram para Salto (SP), inicialmente para morar e trabalhar em uma fazenda. Posteriormente, conseguiram novos empregos e alugaram uma casa na cidade. O venezuelano então convidou sua outra filha, que havia permanecido na Venezuela, para vir também ao Brasil. Ele destacou como o Brasil e a cidade de Salto receberam sua família de braços abertos e ressaltou que todos sempre foram muito acolhedores.

“Resolvi vir para o Brasil porque na Venezuela não havia emprego. Todas as empresas estão fechando, e as grandes estão saindo do país”, explicou José. Ele também afirmou que muitas pessoas ficaram desempregadas e não conseguiam sequer levar alimentos para suas famílias.

Atualmente, os pais de José moram na Venezuela, e ele destacou que a situação é bastante difícil. “Falta muita medicação, e a saúde lá também é muito precária.” José ressaltou ainda que, antigamente, vivia-se bem na Venezuela: havia trabalho, comida e medicamentos, mas tudo mudou devido a decisões tomadas por presidentes.

“Fui à Venezuela há dois anos, e o país ficou muito para trás. A impressão que tenho é que a Venezuela parou no tempo e está cerca de 20 anos atrasada”, contou José. Questionado sobre a possibilidade de retornar ao seu país natal, ele afirmou que isso pode acontecer. “Se a Venezuela melhorar e tiver um bom presidente com uma boa equipe, eu voltaria, porque é um país muito lindo. Amo meu país, assim como também amo o Brasil”, ressaltou.

Venezuelanos em Salto

Segundo o Censo Demográfico de 2022, levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Salto possui 66 venezuelanos residindo na cidade. Esse é o segundo maior grupo de estrangeiros no município, ficando atrás apenas dos paraguaios, que, no último censo, somavam 71 pessoas.

A Secretaria de Ação Social de Salto foi questionada pelo PRIMEIRAFEIRA e informou como funciona o acolhimento e atendimento a estrangeiros na cidade. De acordo com a pasta, geralmente, quando pessoas de outras nacionalidades chegam ao município, elas procuram auxílio, na maioria das vezes, no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS).

Após o acolhimento no CRAS e a identificação das demandas do cidadão ou da família, são repassadas orientações sobre direitos, acesso às políticas públicas e aos serviços disponíveis na cidade. Caso a família atenda aos critérios, ela é orientada quanto à inserção no Cadastro Único, bem como ao acesso a benefícios e programas sociais.

A Secretaria de Ação Social ressaltou que esses estrangeiros são encaminhados para as áreas em que necessitam, como saúde, educação, trabalho, habitação e regularização documental, entre outras. Posteriormente, as famílias passam a ser acompanhadas conforme a situação apresentada, por meio de atendimentos individuais, familiares ou em grupo, visando ao fortalecimento de vínculos, à autonomia e à inclusão social.

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