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O presidente da próxima gestão foi definido. O que vem a seguir?

No último dia 25 ocorreu o segundo turno das eleições federais no Brasil, com um resultado que pegou muitos de surpresa. Por uma diferença pequena o atual presidente conseguiu se reeleger. O mercado financeiro apostava no candidato da oposição, o resultado pegou muitos de surpresa e o mercado financeiro respondeu ao resultado das eleições na segunda-feira com ações de empresas chegando a perder quase metade do seu valor já nas primeiras horas do primeiro pregão após o resultado das eleições.

O que explica essa vitória?

O Brasil é um país de grandes dimensões e com uma população bem dividida em relação ao que acontece na política e sempre falar sobre isso é um desafio porque com uma sociedade com os nervos à flor da pele, qualquer comentário mal pensado sobre o assunto se transforma então em motivo de muita discussão.O presidente eleito conseguiu se eleger com grande parte de seus votos vindo de parte da região Norte do país e principalmente do Nordeste e há uma explicação plausível para isso. Além do fato e muitas famílias no país todo receberem o bolsa família há muitos anos, nessas regiões estão a maior proporção dos beneficiados por esse programa e assim não apenas como no Brasil como em qualquer país do mundo, países com políticas assistencialistas tendem a reeleger ou manter no poder partidos que utilizam do assistencialismo para se venderem como a melhor opção para a sua sociedade. Porém somente programas de assistência por si só não explicam o volume de votos, os estados do Nordeste do ponto de vista logístico e econômico estão posicionados estrategicamente por estarem mais próximas dos dois maiores mercados consumidores do mundo: “Estados Unidos e Europa”, além também de estar menos distante da costa oeste da África.

Em relação a esse fato, a indústria brasileira se concentrou por muito tempo nas regiões Sul e Sudeste, especialmente por causa da infraestrutura e fatores socioculturais. Enquanto isso a China há alguns anos vem despejando bilhões de dólares em investimentos nos estados do Nordeste para aproveitar justamente essa vantagem estratégica e isso muda a percepção das pessoas em relação ao governo, não por causa da China e sim por causa da percepção da melhora da economia resultante desses investimentos. O investimento chinês nesses estados tem gerado demanda de profissionais e também a geração de muitos empregos, ou seja. Enquanto aqui nos estados do Sul e Sudeste a nossa visão do atual governo é a nossa percepção do que acontece na nossa economia, essa mesma percepção também acontece nas demais regiões do Brasil e especialmente no Nordeste a percepção é de que a economia está indo muito bem justamente por causa desses investimentos que estão gerando emprego e renda naquela região.

Esse é um fator regional, no restante do país temos uma outra situação onde as empresas estão operando em um cenário desafiador, com juros altos, inflação ganhando força e justamente por causa dos programas de assistência muitas pessoas preferem trabalhar informalmente para não perderem os benefícios e então há uma escassez de mão de obra e isso é um cenário extremamente ruim porque além do cenário ser desafiador, o empregador não consegue mão de obra justamente porque o programa que deveria ser um suporte temporário se transformou em uma forma de renda vitalícia e isso faz com que muitas empresas não consigam mão de obra para suprir nem mesmo uma demanda reduzida e isso vai de encontro com uma outra situação que tende a se agravar.

Hoje temos um governo que transformou um programa de assistência temporário em fonte passiva de renda para muitas famílias, elas não têm interesse em retornar para o mercado formal de trabalho porque perdem o benefício com isso. O governo não quer perder os votos desses eleitores e coleciona déficit atrás de déficit para financiar esses programas e isso recai sobre quem gera riqueza e emprego, o próprio governo sufoca o seu motor econômico para se sustentar em uma base cada vez mais frágil.

Independente de qual candidato fosse eleito, temos alguns desafios. Inflação por causa do aumento do custo dos combustíveis além do risco de falta de diesel para sustentar o motor logístico no Brasil por causa dos conflitos no Oriente Médio e Ucrânia.

Temos uma reforma tributária que está sendo usada pelo governo para aumentar ainda mais a carga tributária com a desculpa de adequação e que depois isso será amenizado (aquela mesma história que a nossa mãe falava no mercado que “depois compra”) e para completar, o governo deve voltar a aumentar a taxa Selic para conter a alta do dólar e conter a pressão inflacionária e se antecipando à isso os bancos privados brasileiros aumentaram às taxas de financiamento bancário de forma que isso vai impactar diretamente todo o mercado imobiliário.

Esse aumento das taxas de juros bancários pelos bancos privados é a pior mensagem porque sinaliza que podemos entrar em uma crise financeira no começo do próximo ano com o governo aumentando ainda mais a taxa Selic e travando a economia de vez.

Temos muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo que estão contribuindo para um cenário mais complexo. Podemos estar equivocados, mas é para esse caminho que estamos seguindo.

Vida longa e próspera.

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