Mentalize coisas boas.
Sorria sempre.
Gratidão por tudo.
Em uma era dominada por algoritmos que privilegiam a felicidade estética, essas frases tornaram-se mantras obrigatórios. No entanto, o que parece um incentivo inofensivo pode esconder um fenômeno psicológico perigoso: apositividade tóxica.
Diferente do otimismo saudável, que busca enxergar o lado bom sem ignorar os problemas, a positividade tóxica é a imposição de um estado falsamente feliz em toda e qualquer situação. É a negação sistemática de emoções, como a tristeza, a raiva, o medo ou a frustração.
A psicologia alerta que o problema não reside no pensamento positivo em si, mas nainvalidação emocional. Quando alguém atravessa um luto, uma demissão ou uma crise de ansiedade e recebe como resposta um “não fique assim, pense positivo”, o efeito é o silenciamento.
Em vez de acolhimento, a pessoa sente culpa. Surge a sensação de que sua dor é um erro ou um sinal de fraqueza. Estudos indicam que a supressão de emoções não as faz desaparecer; pelo contrário, elas tendem a retornar com maior intensidade, podendo evoluir para quadros de estresse crônico, burnout e isolamento social.
As plataformas digitais são o terreno fértil para essa tendência. O movimento”GoodVibes Only”(na tradução, apenas boas vibrações) cria uma pressão por uma performance emocional constante. Ao observar vidas editadas onde o sofrimento não tem espaço, o indivíduo comum passa a acreditar que sua vulnerabilidade é uma falha de caráter.
É fundamental separar aPsicologia Positiva, campo científico que estuda o bem-estar e a resiliência, dessa “positividade de vitrine”. A verdadeira resiliência não nasce da negação do trauma, mas da capacidade de processar a dor e aprender com ela.
Validar as próprias emoções é o primeiro passo para a saúde mental. Psicólogos recomendam substituir frases que encerram o diálogo por expressões de empatia. Em vez de dizer “poderia ser pior”, o ideal é dizer “eu entendo que isso é difícil para você”.
O ser humano é um ser emocional complexo. Sentir-se triste diante de uma perda ou ansioso diante de uma incerteza não é um defeito; é uma resposta biológica e psicológica natural.
Lembre-se:A verdadeira saúde mental não é estar feliz o tempo todo, mas permitir-se sentir o que é real, sem o peso da máscara da perfeição. Reconhecer a dor, dar nome ao medo e aceitar a frustração são os verdadeiros pilares de uma mente saudável.
É preciso cultivar mais presença real, entendendo que a vida, em sua forma mais rica e profunda, acontece longe dos filtros e muito perto da verdade do que sentimos.
“Material apenas informativo”
Patrícia Zanetti Salvaterra da Silva – CRP 06/130220